Safra de citros 2009/2010 marcada pelos baixos preços
Começou a ganhar corpo a colheita daquela que deverá se configurar como uma das safras paulistas de laranja menos lucrativas. As grandes indústrias exportadoras de suco terão uma temporada de demanda restrita, preços baixos e margens apertadas. A situação está complicadíssima na citricultura. Para os produtores que fizeram caixa de 2004 a 2006 com as valorizações do suco e da fruta derivadas da redução da oferta na Flórida, o cenário é difícil. Para quem não aproveitou esta última onda de altas, derivada dos danos causados por furacões no Estado americano cujo parque citrícola só perde para o paulista, o quadro é insustentável. Tanto pessimismo decorre de uma relação entre custos e preços. Mesmo com a recente baixa dos insumos, o custo operacional do citricultor médio varia de R$ 10,00 a R$ 11,00 por caixa de 40,8 quilos de laranja. No mercado spot de São Paulo, as indústrias pagam R$ 3,68 por caixa de 40,8 quilos, em média. No caso dos fornecedores fiéis, que fecham acordos de longo prazo com as empresas, a maior parte dos contratos vai de US$ 3,00 a US$ 4,50 por caixa de 40,8 quilos. Nesta semana as indústrias voltaram ao mercado, mas comprando apenas de quem tem contrato. Algumas fábricas já estão rodando há cerca de um mês, mas processando apenas a produção das próprias empresas e que representa algo como 30% de suas demandas totais. A colheita de variedades precoces de laranja desta temporada 2009/2010 (ano industrial) teve início há algumas semanas, mas começou a ganhar ritmo agora e estará a todo o vapor entre setembro e outubro. Apenas metade da safra paulista atual, que equivale a 80% da nacional, está contratada.
Segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria da Agricultura de São Paulo -, os pomares ocupam 725,98 mil hectares em 2009/2010, mesmo patamar da safra anterior. A produção poderá chegar a 358,4 milhões de caixas de 40,8 quilos, aumento de quase 2%. Esse número é contestado pelos citricultores. Produtores, indústrias e analistas divergem do IEA e projetam a safra em cerca de 300 milhões de caixas de 40,8 quilos no total. Ainda assim é um volume considerável para um mercado de preços em queda há pelo menos dois anos. O IEA estima que 81% da produção deverão ser destinados à indústria de suco, mas admite que não necessariamente toda a produção será colhida. Apesar da tendência descendente, a caixa da laranja foi vendida, em média, por cerca de R$ 10,00 em 2008/2009, um valor que foi suficiente para pagar custos e render lucros somente aos citricultores mais eficientes. Na Flórida, a colheita deverá render cerca de 150 milhões de caixas de laranja, o menor volume em alguns anos. É o momento mais delicado da história recente da citricultura. Em termos de margens do produtor, a nova safra é semelhante às colhidas no início desta década. Entre 1999 e 2001, o custo girava em torno de US$ 2,70 a US$ 3,00 por caixa, e o preço da laranja no mercado spot estava em US$ 1,00. Na época, São Paulo perdeu entre 80 mil e 100 mil hectares de laranja e esse espaço foi ocupado principalmente pela cana. A conjuntura atual é ainda pior por causa do greening - doença que exige a erradicação de pomares e eleva os custos de produção. A certeza é de que a rentabilidade é baixa, com muitas incertezas sanitárias. Mesmo as grandes indústrias (Cutrale, Citrosuco, Louis Dreyfus e Citrovita lideram as exportações brasileiras de suco), que investiram algumas centenas de milhões de dólares em pomares próprios e logística para transportar suco não concentrado (NFC) nos últimos anos, também não estão confortáveis, já que a demanda e os preços continuam retraídos.
Fonte: Valor Econômico. Adaptado e revisado pela Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.