Suco: tendência de alta do preço em 2010 impactará laranja
Os preços futuros do suco de laranja congelado e concentrado dispararam na segunda-feira (01/03) na Bolsa de Nova York. Preocupações sobre a safra da Flórida ainda são o principal estímulo para o mercado e a expectativa de nova redução da estimativa para a safra atribui o viés de alta. Os lotes mais movimentados, para entrega em maio, subiram 435 pontos ou 3,03% e fecharam a 147,95 centavos de dólar por libra-peso. O cenário de aumento na demanda e de queda nos estoques do suco de laranja vai pressionar ainda mais para cima os preços da commodity no mercado internacional. Os problemas na oferta da fruta na Flórida e as perspectivas de redução da produção também em São Paulo - os dois Estados reúnem os dois maiores parques citrícolas do mundo, com larga vantagem para o brasileiro - continuam a oferecer sustentação às cotações. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a safra 2009/2010 na Flórida em 129 milhões de caixas de 40,8 Kg. No próximo relatório (deste mês de março), o USDA deve reduzir a previsão para uma faixa entre 126 milhões e 127 milhões de caixas de 40,8 Kg, a menor dos últimos 20 anos. Em São Paulo, a safra 2010/2011 não deve ultrapassar 300 milhões de caixas de 40,8 Kg. Assim, no ano há uma alta acumulada de 6,1%. Nos últimos 12 meses, os preços futuros do suco de laranja (FCOJ) na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), acumulam uma alta de 96,7%. O volume exportado de suco de laranja em fevereiro de 2010 atingiu 143,3 mil toneladas, 50,4% superior às 95,3 mil toneladas exportadas em fevereiro de 2009 e de 2,3% sobre as 140,1 mil toneladas exportadas em janeiro de 2010. O preço médio das exportações de suco em fevereiro foi de US$ 849,40 por tonelada, 23,5% inferior aos US$ 1.109,80 por tonelada de fevereiro do ano passado, mas 17,8% superior aos US$ 720,90 por tonelada de janeiro de 2010. A recuperação no preço médio por tonelada já havia sido apontada desde meados do ano passado pelo mercado futuro e ocorre pela redução de oferta no Brasil e nos Estados Unidos, após a quebra na safra e a redução nos estoques. Os preços atuais no mercado internacional, de US$ 2.000 a tonelada, já são 90% superiores aos do ano passado, mas os valores, mesmo com a retomada no consumo, não deverão atingir o recorde de US$ 3.000 por tonelada, de outubro de 2006. Nesse patamar de preços, o consumidor deixa o suco de laranja e passa a consumir outras bebidas, como refrigerantes, por exemplo. O preço deve subir até um faixa entre US$ 2.600 e US$ 2.700 a tonelada.
Fonte: Carlos Cogo